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Os fluxos internacionais de capitais, incluindo os movimentos puramente especulativos, crescem vertiginosamente e dão uma dimensão nova ao fenómeno da globalização da economia mundial. Forma-se, ou desenvolve-se, um «espaço competitivo» global, que podemos designar por mega-economia e que condiciona ou mesmo determina a esfera daquilo que se convencionou chamar macro-economia, isto é, o espaço da economia nacional. -O que significa uma crescente inter-conexão, interdependência ou integração de economias nacionais, processo multi-dimensional que frequentemente se designa por globalização. Nestes processos, desempenham papel decisivo as novas tecnologias da informação e comunicação (TIC), sem as quais não teria sido possível ir tão longe a globalização financeira que condiciona fortemente, hoje em dia, o funcionamento da economia mundial e, com crescente liberalização dos movimentos de capitais, as cada vez mais vulneráveis economias nacionais. -Acentua-se
uma tendência de privatização dos sistemas económicos com
correspondente redução dos sectores públicos e modificação nas
concepções dominantes nas políticas económicas do estado. Este,
para usar uma expressão do Banco Mundial, torna-se «amigo do
mercado» (a chamada «market friendly approach») em lugar de seu
adversário; a sua missão principal passa a ser criar condições
estruturais para a competitividade das empresas no mercado global,
ou seja, assegurar a «competitividade estrutural» das economias
nacionais. -Tudo isto se reflecte também no funcionamento do mercado de trabalho, e de várias formas. A tendência geral vai no sentido, por um lado, de maior flexibilidade (com maior facilidade de despedimentos, e maior rotação da mão de obra) ainda por imperativo da concorrência no mercado de trabalho, em paralelo com o declínio do poder sindical; e, por outro, de maior segmentação e diferenciação do mesmo, com distintas categorias de mão-de-obra auferindo salários e condições de trabalho muito diferenciados. -Toleram-se maiores níveis de desemprego e o objectivo do pleno emprego na política macro-económica é secundarizado relativamente à estabilidade monetária e financeira.O que significa, além do mais, desvalorizar a óptica keynesiana na condução da política macroeconómica, contrariamente ao que sucedera no período dos chamados Golden Years . -Os bancos centrais tornam-se peças fundamentais na garantia dessa estabilidade e actuam com independência em relação aos governos nacionais. Embora a afirmação surja paradoxal, os bancos centrais nacionais tendem agora a agir numa lógica transnacional mais do que na tradicional lógica nacional. Na realidade, os actores que agora prevalecem na economia mundial são grandes corporações transnacionais movendo-se em contextos progressivamente desregulamentados. -No
plano macro da estrutura económica, o sector terciário torna-se
dominante, quer em termos de emprego, quer em termos de produção,
atingindo a contribuição dos serviços, em ambos os casos, mais de
70% da dimensão da economia nacional, nas economias mais avançadas
no processo de crescimento económico. E, nos serviços, crescem
particularmente serviços «informacionais»
isto é, serviços que elaboram, gerem ou transformam
informação em «conhecimento», entendendo este, simplesmente,
como organização da informação para responder a uma questão ou
resolver um problema . É certo que este crescimento dos serviços revelado por séries estatísticas baseadas em critérios de contabilidade nacional dalgum modo obsoletos, pode ser enganador. E conhecidas as tendências de «outsourcing» na moderna gestão empresarial, as estatísticas também colocam «fora» da empresa aquilo que antes estava «dentro», e então classificado como indústria, se era esta a actividade principal da empresa. Além do mais, também pode existir um efeito de deterioração de termos de troca entre produtos industriais e produtos dos serviços intensivos em conhecimento, como serviços de educação e saúde, os segundos valorizando-se relativamente aos primeiros, tal como o conhecido efeito da desvalorização secular do preço de produtos primários em relação a produtos do sector secundário . Mas nada disto permite ignorar o facto essencial de que as economias maduras apoiam sua actividade produtiva em serviços e trabalhadores «intensivos em conhecimento». Segundo Paul Romer, há lugar para um novo modelo do crescimento económico, fundado em algo de intangível mas de importância determinante nas economias mais avançadas, isto é, o conhecimento Segundo Peter Drucker, os trabalhadores do conhecimento – que possuem níveis superiores de instrução e competências técnicas e/ou científicas elevadas – têm hoje um peso na estrutura do emprego comparável aos operários da indústria nos anos 1950. O declínio destes, em termos de volume de emprego seria, aliás uma das razões explicativas da perda de poder dos sindicatos operários que se observa na generalidade do Primeiro Mundo. São estas tendências que justificam a designação – aliás, discutível, como veremos adiante - de «economia baseada no conhecimento (knowledge based economy) que estaria em pleno desenvolvimento na fase actual do capitalismo. E , além do mais, seria o avanço dos EUA em relação à UE nessa transição que explicaria a acentuação do atraso europeu em relação à poderosa economia americana. |
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